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Partido Progressista SP

Discurso Proferido no Plenário


 
 
CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 266.1.55.O
Hora: 15h58
Fase: GE
Orador: PAULO MALUF
Data: 15/09/2015





            O SR. PRESIDENTE (Lucas Vergilio) - Concedo a palavra ao nobre Deputado Paulo Maluf para fazer uso do Grande Expediente. V.Exa. dispõe de 25 minutos.


            O SR. PAULO MALUF (Bloco/PP-SP. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, venho a esta tribuna hoje e pensava eu até que era o mais velho e o mais antigo Deputado desta Casa, mas conversando com o Deputado Bonifácio de Andrada, que é um ícone da política brasileira, filho do grande Líder Zezinho Bonifácio e descendente desde os Andradas da independência do Brasil, ele me disse: Maluf, eu tenho 85 anos. E eu disse ao Bonifácio de Andrada: Você é o mais velho, mas o mais antigo sou eu, porque eu tenho quase 50 anos de vida pública.

Tenho uma história que me dá autoridade moral para fazer uma análise dos problemas do Brasil de hoje. Fui Presidente da Caixa Econômica Federal com 35 anos de idade; meu caro Deputado Júlio Cesar. Fui Prefeito de São Paulo com 37 anos de idade. Fui Secretário de Estado dos Transportes e recordo muito bem, quando, por dever de ofício, acompanhava o Ministro dos Transportes, Mário Andreazza nas suas visitas a São Paulo, que me dizia: Maluf, não sei o que eu vou fazer, porque a safra de soja no ano que vem será 14 milhões de toneladas e os portos brasileiros não têm condições de exportar as 14 milhões de toneladas. Tivesse o Andreazza vivo ele iria ver que a safra deste ano não é 14, mas mais de 90 milhões de toneladas e os portos brasileiros têm condições de exportar.

Depois da Secretaria dos Transportes, fiz um aprendizado muito importante como Presidente da Associação Comercial de São Paulo, a organização empresarial mais antiga do Estado de São Paulo, com sedes em mais de 200 Municípios, com mais de 50 mil empresas associadas. De lá, saí para o Palácio dos Bandeirantes.
E aqueles que me acompanharam — temos aqui até um colega meu, João Castelo, que foi um grande governador do Maranhão — sabem que, com todo o respeito, o melhor Governador que São Paulo teve para o Nordeste foi o Paulo Maluf. Não existiu Município que não precisasse de uma ajuda, que não precisasse de uma ambulância; não houve Estado que não precisasse de uma perfuratriz para fazer um poço, no qual não estivesse o Estado de São Paulo ajudando com muita alegria.

Por quê? Porque, meus amigos, o Brasil é um só. E eu, vendo a tristeza daqueles que largavam as famílias no Nordeste para vir trabalhar em São Paulo, eu me perguntava se não seria melhor gerar um emprego na cidade em que ele nasceu, através de um investimento do BANESPA, para que ele lá permanecesse, em vez de largar a família e vir para São Paulo. E tenho a alegria de dizer que tenho minha consciência muito tranquila em relação a isso.

Fui depois candidato à Presidência da República duas vezes. Em uma delas tive como meu vice o grande Deputado cearense Flávio Marcílio; na outra, o grande mineiro Bonifácio de Andrada foi meu vice. Não ganhei a eleição, mas eleição é pedagógica. Em uma eleição você aprende, você percorre todos os Estados brasileiros e sabe quais são os problemas dos Estados brasileiros.
Posteriormente fui novamente Prefeito de São Paulo. E quem vai à cidade de São Paulo e toma dez táxis sabe que oito ou nove motoristas dizem: Que saudades do Paulo Maluf.

Eu desejo que a cidade de São Paulo tenha um novo Prefeito, eleito no ano que vem, espelho de quem foi Faria Lima, de quem foi Reinaldo de Barros, de quem foi Jânio Quadros, ou até diria Olavo Setúbal, esses já falecidos, ou um Paulo Maluf, mas com 20anos a menos, porque os problemas da cidade de São Paulo são grandiosos e precisam de soluções grandes.

Pois bem, com essa história, eu me permito analisar acontecimentos recentes como o rebaixamento pelo Investment Grade do Brasil.

Meus amigos, eu tenho autoridade, como filho de imigrantes de primeira geração, de dizer que o meu pai não se arrependeu de vir para o Brasil, meu avô não se arrependeu, os milhões de italianos, japoneses, portugueses, alemães, espanhóis, sírios, libaneses, coreanos, chineses, ninguém se arrependeu de vir para o Brasil.

É uma agressão injusta, e eu diria mesmo que se trata de algo mancomunado entre os banqueiros abutres e as empresas de classificação de risco, porque o Brasil tem risco zero, zero. Um país que tem 370 bilhões de dólares em reservas livres tem risco de investimento?

Por acaso, a General Motors, a Ford, a Mercedes, a Volkswagen, a Scania-Vabis, a MAN, a Hyundai, a Peugeot, a Renault — para lembrar algumas das empresas automobilísticas — estão arrependidas de vir para cá? Não. Este ano estão produzindo um pouco menos, mas o Brasil continua. O Brasil é eterno, o Brasil é uno e quem investiu aqui neste País, não tem que se arrepender.

Portanto, é uma indignidade que empresas como a Standard & Poors, queiram rebaixar o investimento no Brasil, com um único objetivo, um único: para que os banqueiros internacionais possam cobrar dos empréstimos das empresas brasileiras juros mais altos, depreciando essas empresas da bolsa e elas amanhã vão ser presas fáceis da pirataria internacional que vai comprar algumas dessas empresas na bacia das lágrimas, como já aconteceu.

Quero dizer aos senhores, meus amigos...

O Sr. Delegado Edson Moreira - Deputado Paulo Maluf, V.Exa. me concede um aparte?

O SR. PAULO MALUF - Com muito prazer, Deputado.

O Sr. Delegado Edson Moreira - Tive a honra, Deputado Paulo Maluf, de servir, como V.Exa., quando era Governador de São Paulo, em investimentos em infraestrutura, que eu me lembre. O aeroporto, hoje, que tem o nome de Cumbica que é o André Franco Montoro; a mudança da rodoviária da Rua Barão de Piracicaba para o Terminal Rodoviário Tietê; a Rodovia dos Trabalhadores, que hoje é a Airton Senna. Então, investimentos de infraestrutura de V.Exa. Outra, também, que eu tive o prazer de trabalhar com V.Exa. foi quando eu servi, por 3 anos, na Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar. Um grande investimento que V.Exa. fez em segurança, que há muito tempo não se fazia. Eu me lembro das viaturas novas, de seis cilindros, que V.Exa. mandou para a ROTA.

Então, testemunho que V.Exa. fez os investimentos no Estado de São Paulo.

Progrediu e progrediu bastante!

O SR. PAULO MALUF - Muito obrigado, Deputado. V.Exa. falou da Rodovia dos Trabalhadores, hoje, Ayrton Senna. Quero reiterar a este Plenário que quando vejo hoje o Governo dizer que vai fazer uma PPP — Parceria Público-Privada, quero dizer, sem que isso represente ofensa a ninguém, que o Governo está mandando os contribuintes à PQP, porque o contribuinte paga para construir estrada, não é para cobrar pedágio. O contribuinte paga para que se construam hidroelétricas, não é para dar concessão para a pessoa fazer hidroelétrica e depois cobrar uma tarifa bem mais cara.

Hoje, infelizmente, meu caro Deputado, eu, no Estado de São Paulo, construí 20 mil quilômetros de estrada e posso dizer a V.Exa. que me orgulho de não ter construído nenhuma praça de pedágio.

Eu tenho muito apreço pelo Governador Geraldo Alckmin. Na campanha de 2010, havia um debate na PUC e uma das perguntas que os jornalistas fizeram a ele foi a seguinte: Governador, o senhor não acha que tem muita praça de pedágio aqui no Estado de São Paulo? Aí, o Governador Geraldo Alckmin disse: sim, mas a Confederação Nacional dos Transportes fez uma pesquisa e chegou à conclusão que as dez melhores estradas do País estavam no Estado de São Paulo. Eu disse: mas Governador, foi Maluf que fez, e eu não construí nenhuma praça de pedágio.

Eu construí cinco hidrelétricas no Estado de São Paulo, as últimas que foram construídas: Rosana/Taquaruçu, no rio Paranapanema; Porto Primavera, no rio Paraná; Três Irmãos e Nova Avanhadava, no rio Tietê, além do canal de Pereira Barreto, que foi construído, dando mais um milhão de quilowatts para as usinas antigas de Ilha Solteira.

Hoje, portanto, eu quero dizer aos senhores, que me entristece, meu caro Presidente Deputado Júlio Cesar, é que no Brasil o Governo não constrói mais. O Governo dá concessão. Então, para quê pagar o imposto? E aí nós vamos numa reflexão: o Governo quer agora o aumento da CPMF, novamente o imposto do cheque.

Eu, empresário há mais de 60 anos, quero dizer que eu não tenho absolutamente nenhuma dúvida que todo empresário tem que pagar bem os seus impostos, e quero até contar uma pequena história quando, no meu batismo de fogo, fui nomeado presidente da Caixa Econômica Federal, pelo mais ilustre ministro que eu conheci, que está aí, que é Delfim Netto, eu recebi a visita de uma senhora, que queria uma casa popular, uma senhora pobre, e ela me disse algo que ficou na minha cabeça. Ela me disse: Dr. Paulo, hoje dá gosto pagar imposto. Eu olhei incrédulo para aquela moça, quase em andrajos. Ela me disse: Sim, porque eu pago um aluguel e pago o IPTU também, daquela casa que eu alugo. Mas eu tenho o prazer de pagar o imposto, porque a gente vê que o Faria Lima está colocando tudo em novos viadutos, novas pontes, novas avenidas, novas escolas e novos hospitais.

Portanto, pagar imposto, quando a gente vê que o Governo realiza com aquele dinheiro algo em benefício da coletividade, a gente fica até feliz.

Quando eu vejo que na Previdência Social este ano, entre a privada e a pública, nós vamos ter um déficit de quase 100 bilhões de reais, eu me pergunto: não seria melhor colocarmos o pé no acelerador ou o pé no breque? E respondo: aqui nesta Casa, recentemente — eu dou nome aos bois —, uma moça competente da Liderança do meu partido, o Partido Progressista, se aposentou. Aposentou-se linda, bonita, moça e foi morar em Copacabana, com 35 mil reais de aposentadoria. Meu caro Presidente Júlio Cesar — V.Exa. conhece bem matemática e conhece bem os orçamentos —, eu lhe pergunto: dá para alguém pagar durante 30 anos 8% do salário e depois viver mais 30 anos e receber 100% do salário em aposentadoria? Essa conta não fecha.

Então, eu quero dizer ao Sr. Ministro da Fazenda e ao Sr. Ministro do Planejamento que eu, Paulo Maluf, não teria nenhum problema se tivesse aumento de imposto. Mas eu faço uma proposta concreta: para cada 1 real de imposto pago pela coletividade, pelo povo, pelas empresas, o Governo tem que provar que economizou 2 reais de dinheiro mal gasto. A cada 1 real que a empresa pagar, o Governo tem que mostrar que economizou 2 reais. Por quê? Porque a capacidade contributiva da população é uma só, tem um limite. A capacidade contributiva do povo não é ilimitada, é limitada.

Muitos governantes confundem investimento com gasto. O investimento é bem-vindo. Lá em Tocantins, meu caro Governador Gaguim, quando alguém constrói uma estrada, ele beneficia o transporte da produção agrícola. Agora, quando alguém faz um malfeito com recurso público, não beneficia ninguém. Pelo contrário, prejudica o País.

Hoje, o que nós estamos vendo é exatamente isso.

Ainda na semana passada, telefonou-me uma prefeita e disse: Dr. Paulo, o senhor me arruma uma emenda? E eu disse à prefeita: Sua cidade eu conheço bem. Deve ter uns 60 mil habitantes. Ah, é isso mesmo, tem 60 mil habitantes. Pelos orçamentos de São Paulo, são 2.000 a 2.500 reais por habitante/ano. Você deve-se ter aí um orçamento de 120, 130 milhões. Ela disse: Exatamente. Perguntei a ela: Quantos por cento desse orçamento a senhora paga para o seu funcionalismo?

Porque, quando eu deixei a Prefeitura de São Paulo, nós destinávamos 19% do orçamento para o pagamento da folha salarial, e a Constituição dizia que o máximo era 60%. Ela me disse: Dr. Paulo, mais ou menos 60%. Então, eu disse: Então, a senhora com seu orçamento — e eu sou polêmico, porque eu falo o que eu penso — com seu orçamento, a senhora nomeia quem a senhora quer, amigos de Vereadores, amigos da senhora. Gasta dinheiro, e, para investimento, a senhora quer que o Governo Federal entre com as emendas? Eu vou lhe dar um conselho. A senhora trate primeiro de corrigir o seu orçamento, aí a senhora venha a nós, e nós vamos lhe dar, sim, a emenda que a senhora merece para o seu investimento.

Por isso, meus amigos, eu quero dizer aqui que eu, Paulo Maluf, não voto — não voto — nenhum aumento de imposto se não houver uma contrapartida clara do Governo Federal dizendo que vai economizar no mínimo o dobro.

Ou seja, para cada real que nós contribuímos, ele tem que provar que gastou dois a menos. Por quê? Se não houver investimento, o PIB brasileiro vai continuar sendo de 1%, 0,5%, 0%, -2%. Por que o PIB não cresce? O PIB não cresce, porque o Brasil não investe. O Brasil gasta, o que é bem diferente.

Quero também dizer, com toda minha sinceridade polêmica, que nós vemos todos os dias nos jornais que há Comissão para fazer impeachment, que há ex-Deputado que foi do PT, do Partido dos Trabalhadores, Hélio Bicudo, um e ex-Deputado que foi Vice-Prefeito da Prefeita do PT, Marta Suplicy, fazendo um requerimento de impeachment contra a Presidenta.

Em primeiro lugar, eu quero dizer que esse senhor não tem autoridade moral, porque ficou no ninho durante 40 anos e agora vem propor o impeachment. Alguém que seja adversário político da Presidenta tem autoridade para propor o que quiser. Ele não tem.

Agora, também quero dizer o seguinte aos senhores: o Brasil não é uma republiqueta da América Central, em que você, se não gostar do Presidente, tira-o do cargo. Não! Ela foi eleita por 4 anos. Se não houver uma prova contundente de envolvimento da Presidenta no malfeito, acho que seria uma temeridade, com todo o meu respeito à posição divergente dos meus colegas, propor o impeachment, porque aí nunca mais consertamos o Brasil.

Eu tenho muito respeito por todos os políticos deste País. Acontece que precisamos consertar o Orçamento. Como está, se Aécio Neves tivesse sido eleito, o Brasil estaria pior. Se Michel Temer suceder a Presidenta Dilma, eu tenho absoluta certeza de que ele não vai resolver o problema. Não vai, porque o problema é estrutural. O problema não é outro, a não ser estrutural.

O Brasil não tem mais condições de fazer investimento em nenhum setor, não tem condições de fazer investimento na educação, na saúde, nas estradas, em hidroelétricas.

Quer dizer, foi-se o tempo em que o Brasil construiu, com recursos próprios, a maior hidroelétrica do mundo, naquele tempo, Itaipu. Com 12 milhões de quilowatts, Itaipu custou quase 30 bilhões de dólares, em valores, hoje, de 100 bilhões de reais, com o crédito que o Brasil tinha lá fora — teve empréstimos e fez a hidroelétrica. Não precisou de PPP, não precisou fazer concessão, não precisou ceder a obra para alguém da livre iniciativa, que logo após passaria a cobrar pelos serviços.
Quando construímos o Aeroporto de Guarulhos, eu fui acusado de megalomaníaco. Fui até processado.

Fiquei muito orgulhoso quando, no ano passado, eu fui à inauguração da ampliação de Guarulhos e disse à Presidenta: Presidenta, estou feliz por duas razões: primeiro, é um lindo aeroporto a mais que foi construído em São Paulo; e, segundo, diziam que eu tinha sonhos megalomaníacos. Eu fico feliz em ver que o aeroporto ficou pequeno. O aeroporto hoje transporta 25 milhões de passageiros/ano, é o maior da América Latina, e ficou pequeno. Agora, o que a mim me entristece é que esse aeroporto foi ampliado com recursos da livre iniciativa. Não foram recursos do Governo. O Governo, além disso, deu a concessão do novo aeroporto e do antigo, que São Paulo construiu com recursos orçamentários.

Então, meus amigos, o que quero dizer aqui para vocês, com toda minha sinceridade, é que não vejo solução para os problemas brasileiros, porque o problema é estrutural. Repito: com 100 bilhões de déficit na Previdência neste ano, qual seria a primeira coisa que alguém responsável teria que fazer? Propor que o limite de aposentadoria passasse de 60 anos para 62 anos, para 63 anos.

Nós votamos aqui a PEC da Bengala. Dentre as razões por que eu votei a favor da PEC da Bengala, uma delas foi por considerar um crime mandar um homem de 70 anos, com saúde, com notável saber jurídico, ilibada reputação, para casa para tomar conta dos netos. Seria muito importante que ele ficasse mais 5 anos trabalhando pelo País. Segundo, se ele fosse para casa, teria que pagar a aposentadoria dele e mais o salário de um novo Ministro.

Sr. Presidente, muita gente pode não gostar, muita gente vai dizer: O Maluf está contra o trabalhador. Não! Digo isso porque a conta não fecha, e V.Exas. sabem muito bem disso. Se não aumentarmos o limite mínimo de aposentadoria para 62 anos, para 63 anos, para 64 anos, não haverá solução para o problema da Previdência. O dinheiro que se paga ao aposentado não é investimento, é gasto. Quer dizer, amanhã não haverá condições de que as reivindicações de V.Exa. para o Piauí sejam atendidas, porque o Governo não terá orçamento, terá que pagar as pessoas que ficam em casa, sem trabalhar, aposentadas.

Eu faço esta reflexão aqui, meus amigos, para lhes dizer o seguinte: ninguém mais do que eu acredita neste País e ninguém mais do que eu acredita que foi um crime o que as empresas de risco fizeram contra o País, rebaixando a nossa nota. Por quê? Se nós analisarmos o mundo, veremos que as grandes nações estão acima da Linha do Equador, no hemisfério norte. Os Estados Unidos, o Canadá, a Rússia, a Sibéria e a China estão todas no norte.

O único grande País que está no hemisfério sul é o Brasil. E, lá fora, quando se fala que o Brasil tem duas safras por ano na mesma terra, eles não acreditam. Quando eu disse na França, mais de uma vez, que no Rio São Francisco, na Região Norte, em Alagoas, Sergipe, Pernambuco e Bahia, nós temos até três safras de uva com irrigação por gotejamento, eles acharam que não era verdade. Na França, é raro quando, em um ano, há uma boa safra.

Sr. Presidente, V.Exa. sabe o quanto o Piauí melhorou a sua agricultura, o quanto hoje nós temos soja naquele Estado, o quanto o valor da terra aumentou pelos investimentos que foram feitos até por algumas empresas estrangeiras, como o grupo argentino Los Grobo. Então, ser pessimista neste País é desconhecer o que é este País.

O Brasil, quando Dom Pedro I decretou a sua independência, tinha 4 milhões e meio de habitantes. No fim do século, tinha 27 milhões. Na década de 50, quando Getúlio foi eleito, o País tinha 54 milhões de habitantes. Na Copa do Mundo de 1970, no tricampeonato, cantávamos Pra Frente, Brasil noventa milhões em ação, mas hoje não tem mais 90. Hoje, o País tem 204 milhões de habitantes.

O País era a quadragésima oitava potência do mundo, hoje é a oitava.
Então, quero dizer a V.Exa. que é impossível este País não dar certo. Este País tem os fundamentos que outros países não têm. Nós temos sol o ano inteiro, água o ano inteiro, gente boa sem nenhum tipo de preconceito racial ou de cor. Mais do que isso, temos reservas minerais inesgotáveis.

O que precisamos só é de governos que tenham responsabilidade em saber que investimento é investimento e gasto é gasto. Temos que investir e não gastar. Temos que repudiar todos aqueles que têm um pensamento negativo sobre o Brasil. Ninguém realmente vai segurar este País.

O Sr. Gilberto Nascimento - Permite-me V.Exa. um aparte?
O SR. PAULO MALUF - Ouço, com prazer, V.Exa.

O Sr. Gilberto Nascimento - Deputado Paulo Maluf, quero dizer, primeiro, da minha alegria em poder apartear V.Exa. nesta tarde. V.Exa. foi um grande Prefeito de São Paulo, um grande Governador de São Paulo. V.Exa. hoje traz....

O SR. PAULO MALUF (Intervenção fora do microfone. Inaudível.)
O Sr. Gilberto Nascimento - Muito obrigado. V.Exa. faz um retrospecto deste País como poucos têm feito nessa tribuna. Realmente, comungo com as suas ideias. Na realidade, o Brasil é muito maior do que a crise. Esta crise vai passar. Um país, como disse V.Exa., que dá três produções de uvas numa terra em que diziam que não se plantava nada, ou que não tinha condições de colher nada. O País tem um povo maravilhoso. O País tem um grande desenvolvimento, recursos hídricos, terras das melhores.

Na realidade, o que talvez a Presidenta da República não tenha tido neste momento é um grupo de conselheiros que pudesse mostrar para ela que é hora de dizer que o País é maior que a crise, que nós vamos vencer e que incentivar o povo brasileiro a ter uma melhor condição de, neste momento, enfrentar a crise, logicamente criando empregos, criando propostas viáveis para que esse País possa crescer, entendendo que, com os juros também que nós estamos pagando neste País, infelizmente o Brasil dificilmente vai sair disso. Mas mesmo assim eu acredito. Resolvendo-se isso com um grupo de conselheiros talvez com cabeça como a de V.Exa., nós poderemos sair da crise.

Muito obrigado.

(Não identificado) - Gostaria também de parabenizar o Governador Maluf pelo discurso e pelo conhecimento.

O SR. PAULO MALUF - Quero agradecer ao Deputado Gilberto Nascimento, porque, se eu pude fazer alguma coisa na capital, eu contei com a ajuda desse grande Vereador Deputado Gilberto Nascimento, (Ininteligível.) Governador Carlos Gaguim.
(Não identificado) - Parabéns, Governador Paulo Maluf, pelo pronunciamento.

O Sr. João Castelo - Eu quero apenas cumprimentá-lo pela lucidez do seu pronunciamento. Há 30 e tantos anos eu tive a oportunidade de ser Governador do Maranhão, e o senhor, ao mesmo tempo, de ser Governador de São Paulo. Eu sou testemunha do seu trabalho. Quando eu quis fazer em São Luís, minha cidade que não tinha água, o maior projeto da América Latina no gênero até hoje, uma adutora de 82 quilômetros de ferro dúctil de 1 metro e 20 de diâmetro, uma captação extraordinária no Rio Itapicuru, o tratamento e tudo aquilo para fazer com que a cidade capital do meu Estado tivesse água.

Eu precisei dos dois maiores técnicos da SABESP em São Paulo. E o senhor, como Governador na época, meu colega, colocou os dois à minha disposição, durante todos os 2 anos em que eu construí, em tempo recorde, o maior projeto da América Latina na área de saneamento, que está até hoje, que é o Italuís.

E eu quero registrar no seu discurso para dar o testemunho da sua capacidade, do seu empreendedorismo e, sobretudo, do seu companheirismo e preocupação com qualquer região do Brasil. Parabéns!

O SR. PAULO MALUF - Presidente Júlio Cesar, eu quero aqui registrar o meu testemunho de que o Maranhão, quando o Deputado João Castelo foi Governador, cresceu a 9%, 10% real todos os anos. E ele, com D. Gardênia Castelo à frente das obras sociais, foi realmente um dos grandes, senão o maior, propulsionador do progresso do Maranhão.

Parabéns a V.Exa., Deputado João Castelo.

O SR. VITOR VALIM - Presidente, gostaria de dar como lido... Perdão!
O SR. PRESIDENTE (Júlio Cesar) - Meu querido Paulo Maluf, encerrando o discurso de V.Exa... V.Exa. estava falando e eu anotando alguns dados que me chamaram a atenção. Primeiro: ser Prefeito de São Paulo com 37 anos. Na época, era o terceiro maior orçamento do Brasil, só perdia para a União, para o Estado de São Paulo e ele era o terceiro. Hoje éo quinto, mas na época era o terceiro maior orçamento do Brasil. Uma das coisas que me chamou a atenção, meu querido colega Paulo Maluf, foi os 20 mil quilômetros de estrada que V.Exa. fez como Governador.

A União tem menos de 60 mil quilômetros asfaltados administrados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes — DNIT. V.Exa. fez, com recursos do Estado, mais de um terço do que existe hoje, não é do que existia naquela época.

Outra coisa que me chamou a atenção foram as cinco hidrelétricas. Hidrelétrica é uma das obras mais caras que existem hoje em termos de infraestrutura, e a sua distribuição também é muito cara. V.Exa. construiu cinco hidrelétricas e o maior aeroporto da América Latina, o Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.
Então, eu, ao presidir esta sessão, fico feliz em cumprimentar V.Exa., um homem de nome nacional, que projeta e orgulha o seu Estado, o Estado de São Paulo. V.Exa. tem uma vida totalmente dedicada às causas maiores do seu Estado, com repercussão em todo o Brasil. Não há uma só pessoa neste País que não conheça Paulo Maluf, e o conhece pela sua história, pela política de resultados, como Prefeito, como Governador, como Deputado e por todos os cargos públicos que V.Exa. assumiu.

Então, eu só tenho o orgulho de — em presidindo, eventualmente, esta sessão, no momento da fala de V.Exa., no Grande Expediente — cumprimentá-lo e abraçá-lo pela sua história, pelo seu passado, mas, acima de tudo, pelo que fez por São Paulo e pelo Brasil.

Parabéns!
O SR. PAULO MALUF - Obrigado, Deputado Júlio Cesar!
O SR. VITOR VALIM - Presidente, eu gostaria de dar como lido o PL 4.230.
O SR. PRESIDENTE (Júlio Cesar) - S.Exa. dispõe de 1 minuto.
O SR. VITOR VALIM - O Deputado Paulo Maluf, que ainda...

O SR. PRESIDENTE (Júlio Cesar) - O Deputado Paulo Maluf ainda está na tribuna.

O SR. ZÉ GERALDO - Tem que encerrar o Grande Expediente, Sr. Presidente. Está meio antirregimentalesse negócio.

O SR. PAULO MALUF - Meus amigos, muito obrigado. Sr. Presidente Júlio Cesar, Deputado Gilberto Nascimento, Deputado João Castelo, muito agradecido.
O SR. PRESIDENTE (Júlio Cesar) - Obrigado.


 
 
 
 
 
 
 
 


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